Palmeiras perde dinheiro na Arena Barueri e vive conflito com interdição do Allianz Parque

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Em sete partidas nos últimos meses, Barueri tem média de público e renda de de 16.515 pessoas e R$ 779.589, equivalente a menos da metade do registrado no Allianz em 2023 Allianz Parque x Arena Barueri: qual o peso dos estádios nas quartas para o Palmeiras?
“O torcedor tem de ficar muito satisfeito por termos Barueri para jogar. Se não tivesse Barueri, onde o Palmeiras jogaria?”.
As palavras da presidente Leila Pereira foram uma resposta às condições do estádio, administrado por uma de suas empresas e casa do Verdão durante a interdição do Allianz Parque. É a única alternativa neste momento, para o descontentamento de parte da torcida, mas o que muda para o Palmeiras realmente?
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Thiago Ferri
O debate sobre a Arena Barueri envolve questões financeiras, estruturais, de identificação e conforto, até mesmo da comissão técnica alviverde.
O estádio recebeu quatro das seis partidas do Palmeiras como mandante em 2024. E ainda deve haver outras; o jogo das quartas de final do Paulista, sábado, contra a Ponte Preta, já está marcado em Barueri, e a reforma do gramado do Allianz Parque por enquanto não tem data para ser concluída.
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A primeira diferença evidente está no público e renda: o Palmeiras perde dinheiro sempre que transfere seus jogos para a Arena Barueri.
Localizada a 28 km de distância do Allianz Parque e com capacidade para 31 mil pessoas, a Arena está longe de ter o mesmo apelo nas arquibancadas, é considerada de difícil acesso por parte da torcida e registra menos da metade da média de público do Allianz nos últimos meses.
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O Palmeiras terminou o ano de 2023 com uma média de público de 36.374 pessoas e arrecadação de R$ 2,75 milhões no Allianz Parque.
A Arena Barueri, considerando as sete partidas dos últimos meses, registrou uma média de 16.515 pessoas e renda de R$ 779 mil. É menos da metade do Allianz Parque. Foram incluídas na conta as quatro partidas deste Paulista e as outras três do Brasileirão do ano passado para ampliar o recorte do estádio.
Ingressos e renda na Arena Barueri
Ingressos vendidos: 115.606, com três partidas do Brasileiro 2023 e quatro do Paulista 2024
Média de público: 16.515
Renda total: R$ 5.457.128,00
Renda média: R$ 779.589,71
Ingressos e renda em 2023 no Allianz Parque
Ingressos vendidos: 1.163.968
Média de público: 36.374
Arrecadação total: 88.211.340,45
Média de arrecadação: 2.756.604,38
É tanto que o Palmeiras pretende acionar a Real Arenas, braço da WTorre responsável pela gestão do Allianz Parque, para receber uma indenização pelo período em que não pode atuar no estádio.
O gramado estava em reforma com prazo de entrega para essa terça-feira, mas a cortiça ainda não foi instalada. O Verdão planeja testá-lo antes de voltar a jogar, e Leila não deu garantia de data para retorno.
– Ainda tem todo um processo, precisamos testar o gramado, fazer um treino e precisa a Federação fazer nova vistoria, então não consigo cravar. Eu gostaria que fosse o mais rápido possível porque estamos tendo um prejuízo milionário. O Palmeiras jogando em Barueri, que é bem menor, tem uma diferença de receita – disse a presidente, em exclusiva ao ge.
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Antes mesmo do financeiro, há questões internas como o descontentamento do próprio Abel Ferreira com o estádio. Quando precisou usar a Arena Barueri por conta dos shows no Allianz, em novembro de 2023, o treinador expôs seu desconforto.
– Agradeço aos 17 mil que estiveram aqui, mas na nossa casa teríamos 40 mil, 42 mil, o barulho não foge. E com todo respeito, esse não é o chiqueiro, não me sinto confortável, nem nos bancos me sinto confortável, não é minha casa – lamentou o técnico.
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Agora no início de 2024, quando a mudança aconteceu por falta de condições do gramado do Allianz Parque, Abel disse que seria mais sereno em suas declarações. Foi o próprio treinador um dos responsáveis por criticar a situação do sintético do Palmeiras, cobrando a recuperação do gramado.
– Este ano eu prometo que vou ser mais leve. Não vou me chatear com coisas que estão fora do meu controle, vou jogar onde tiver que ser. Se for no terrão é no terrão, se for no cimento é no cimento, se for na madeira é na madeira – disse, em fevereiro de 2024, depois da vitória sobre o Ituano.
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Com o atraso nas obras, contudo, e a informação do clube de que as quartas de final ainda devem acontecer em Barueri, Abel voltou a demonstrar seu descontentamento.
– Sei que nossos torcedores fazem um esforço muito grande para vir aqui. Quando é a noite mais difícil é porque sei que não há transportes e é duro às vezes viajar a noite, e essa não é a nossa casa. Nossa casa é o Allianz Parque – disse, após a vitória sobre o Botafogo-SP, no fim de semana.
Reformas estão previstas e debate segue
Fato é que o debate sobre a Arena Barueri não encerra com o fim da reforma do gramado do Allianz Parque.
A casa alviverde ainda será impossibilitada de receber jogos ao longo do ano, quando houver choque de datas com os shows marcados, e parte da torcida se mostra insatisfeita com a escolha de Barueri como segunda sede do Verdão. Os motivos são principalmente o acesso e a estrutura do estádio, com alagamentos em dia de chuva, por exemplo.
Questionada sobre Barueri, a presidente Leila Pereira reforça que o estádio estaria em reforma no momento se não fosse a interdição do Allianz Parque. A troca do gramado – por um artificial com composto de cortiça – acontecerá a partir de julho e enquanto isso outras obras estão sendo realizadas, desde que não impeçam a utilização pelo Palmeiras.
– Só vai impedir quando estiver trocando o gramado e isso acho que em 30 dias fica pronto – explica Leila Pereira.
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A concessão da Arena Barueri foi adquirida, por 35 anos, por uma das empresas da presidente do Palmeiras. Há reformas previstas no contrato, incluindo a mudança do gramado, com prazo de um ano para realizar.
– A empresa está comprando o material e quando começar a fazer a troca vai ser muito rápido. Já existem algumas obras que não atrapalham e estão acontecendo. Vamos trocar toda a iluminação e lá tem muito problema com água quando chove. Estamos fazendo obras para resolver esse problema, algumas estão sendo feitas, mas desde que não atrapalhem para jogar – completa.
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Outras opções ainda não foram detalhadas pelo clube, caso o Allianz Parque esteja impossibilitado durante o período de troca do gramado da Arena Barueri, por exemplo. O Morumbi está fora de cogitação, especialmente com a relação agora estremecida entre Palmeiras e São Paulo, e o Pacaembu ainda não tem prazo para conclusão da reforma.
– Pode ser o Pacaembu, se estiver pronto, claro sem dúvida, é que não tenho a previsão de quando vai ser entregue – finaliza Leila.
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