Conheça a história do primeiro-ministro que não consegue voltar para o próprio país por causa da violência de gangues

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Ariel Henry viajou para a Guiana e depois para o Quênia. Quando ele estava fora, a violência das gangues aumentou. Os criminosos ameaçam o principal aeroporto do Haiti, e o primeiro-ministro foi para Porto Rico. Líder de gangue no Haiti ameaça iniciar uma guerra civil se primeiro-ministro não renunciar
O primeiro-ministro do Haiti, Ariel Henry, está na ilha de Porto Rico e não consegue voltar para o próprio país por causa das ameaças das gangues haitianas, que atacaram o principal aeroporto para impedir a volta dele.
Nos últimos dias, as gangues ajudaram mais de 4.000 pessoas presas a fugir da cadeia.
Henry tentou entrar em seu país pelo vizinho, a República Dominicana, mas as autoridades dominicanas barraram todos os voos de conexões com o Haiti.
Impedido de voltar, ele enfrenta uma campanha de pessoas que pedem para que ele renuncie.
Por que ele saiu do Haiti?
Em fevereiro, ele viajou para a Guiana para participar de um evento de países da América do Sul e Caribe, o Caricom (o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, também esteve nesse encontro) .
Ele ficou quatro dias na Guiana. Durante o evento, líderes de outros países do Caribe afirmaram que ele prometeu que haverá eleições no Haiti em 2025.
Henry ainda estava na Guiana quando a violência das gangues piorou nas cidades do país dele.
O primeiro-ministro não voltou para o Haiti, mas viajou para o Quênia, para um encontro com o presidente queniano, William Ruto. O líder haitiano está tentando levar policiais do Quênia para o Haiti.
Há uma força policial queniana que não pode atuar no próprio país porque a Suprema Corte afirmou que se trata de uma corporação inconstitucional.
Ruto (o presidente do Quênia), Henry (do Haiti) e a ONU querem que parte desses agentes seja empregada nas cidades haitianas.
Oficialmente, Henry não tinha data para voltar para o próprio país. Na terça-feira (5) ele pousou em Porto Rico.
E agora?
Líderes de países do Caribe conversaram com Henry na noite de terça-feira. Eles sugeriram a Henry que ele deveria renunciar, mas ele rejeitou essa ideia, de acordo com uma autoridade regional que falou sob condição de anonimato porque não está autorizada a revelar detalhes da ligação.
O primeiro-ministro de Granada disse que Henry informou aos funcionários que seu plano é retornar ao Haiti.
O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, disse que os EUA e seus parceiros estão pedindo a Henry que faça concessões.
“Não estamos pedindo ou pressionando para que ele renuncie, mas estamos pedindo para ele acelerar a transição para uma estrutura de governança”, disse Miller.
Ariel Henry em Nairóbi, no Quénia, em março de 2024
Andrew Kasuku/AP
Quem é o primeiro-ministro?
Henry, de 74 anos, é um neurocirurgião. Ele estudou na França e, no começo dos anos 2000, virou um politico em seu país.
Nos anos 2000, ele foi diretor geral do Ministério da Saúde e depois o chefe de pessoal –nesse cargo, ele teve um papel importante nos momentos após o terremoto de 2010, que marcou o país.
Em 2015, ele virou ministro do Interior e responsável pela política de segurança do país e também ministro de Assistência Social.
Nesse mesmo ano, ele se envolveu em disputas partidárias e depois de ocupar esses cargos, ele sumiu do cenário público.
A história mudou em julho de 2021. Naquele mês, mercenários entraram na residência oficial do presidente, Jovenel Moise, e o mataram.
Na ocasião, o primeiro-ministro que estava no cargo, Claude Joseph, caiu por causa de suspeitas de envolvimento dele com o crime. O Haiti estava sem nenhuma liderança. Foi quando um grupo de representantes da comunidade internacional agiu.
O Haiti é aconselhado por diplomatas dos seguintes países e órgãos multilaterais:
Alemanha,
Brasil,
Canadá,
Espanha,
Estados Unidos,
França,
União Europeia,
ONU,
OEA.
Esse grupo emitiu uma declaração logo após o assassinato de Moïse, essencialmente declarando Henry como o novo líder do Haiti. O atual líder do país nunca foi eleito.
A campanha para derrubá-lo
A campanha para derrubar Henry começou logo após ele se tornar primeiro-ministro.
Há líderes de gangues que querem que ele deixe o cargo, mas há também haitianos comuns, irritados porque não há eleições gerais há quase uma década.
Ele afirma que ainda não é seguro organizar eleições.
No começo de 2023, ele criou um conselho de transição que deveria organizar as votações, mas as eleições foram adiadas várias vezes por causa dos assassinatos e os sequestros relacionados a gangues em todo o país.
Mais de 8.400 pessoas foram mortas, feridas ou sequestradas em 2023, mais que o dobro do número relatado em 2022.

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