Após conselheiro renunciar e ‘sair atirando’, cúpula da Vale quer amenizar relação com o governo, mas sem interferência

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Logotipo da Vale em sede da empresa no Rio de Janeiro
Ricardo Moraes/Reuters
Depois de o conselheiro da Vale José Duarte Penido renunciar a seu posto e sair atirando, dizendo que o processo sucessório na empresa está sendo conduzido de forma manipulada, a cúpula da companhia não quer mais briga com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A diretoria entende que precisa reabrir o diálogo com o presidente da República. Mas ao mesmo tempo, não deseja que seus investimentos sofram interferência do Palácio do Planalto.
A empresa tem no seu histórico alguns investimentos realizados por interferência política – exatamente no período dos dois mandatos anteriores de Lula e os de Dilma Rousseff – que não deram certo e se tornaram deficitários.
Segundo integrantes da mineradora, uma coisa é ter um canal aberto com o governo, outra é deixar que haja interferência política na condução de uma empresa privada.
A avaliação é que o próximo CEO deve ter mais abertura para conversar com a equipe de Lula, mas seu nome terá de ser definido com bases profissionais, de acordo com os interesses da mineradora, o seu futuro, mantendo o foco no seu negócio principal: a exploração e exportação de minério.
O governo, por sua vez, espera que ainda no período de transição do atual CEO, Eduardo Bartolomeo, que ficará no posto até o final do ano, a Vale defina o que fará com algumas concessões, se vai realmente explorá-las, ou então devolva essas concessões para a União.
Essa é uma das principais reclamações do governo em relação à atual administração da empresa.
Depois que deixar o posto de CEO, Eduardo Bartolomeo ainda permanecerá como consultor da companhia durante o ano de 2025, garantindo uma transição tranquila para o futuro comandante da mineradora.
Com isso, ele estará à disposição do seu sucessor para esclarecer investimentos em curso e negociações de contratos.
O presidente Lula tentou emplacar o nome do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para substituir Bartolomeo, mas a reação negativa fez o Palácio do Planalto recuar.
Agora, assessores do petista esperam que, pelo menos, o próximo CEO tenha abertura para conversar com o atual governo, algo que a atual cúpula entende como necessário também.

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