Lula abre as portas da Granja do Torto ao agronegócio para melhorar relação com o setor

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Encontros serão compostos por reuniões formais e churrascos com os participantes. O planejamento é para que sejam realizados a cada 15 dias. Presidente Lula (PT)
Ricardo Stuckert/PR
Em mais uma ação para se aproximar do agronegócio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passará a organizar eventos frequentes com representantes do setor dentro da Granja do Torto, residência de veraneio da Presidência da República. O primeiro encontro está previsto para a semana que vem, com o setor de fruticultura e produção de sucos.
Haverá uma reunião de trabalho mais formal, em que representantes do setor vão sentar à mesa com o presidente, ministros e outros auxiliares do governo. Em seguida, o presidente fará um churrasco com os participantes. A ideia é organizar as reuniões sempre no final de tarde para que os convidados fiquem para a churrascada à noite.
O governo planeja fazer esses encontros a cada 15 dias. Cada reunião será com um setor diferente do agronegócio. A Granja do Torto era muito utilizada por Lula nos dois primeiros mandatos como um espaço de confraternização com parlamentares.
A residência passou por uma reforma em 2023. No final do ano, Lula recebeu deputados, senadores e ministros para uma confraternização no Torto, com forró e comida nordestina. Até o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, considerado um desafeto de Lula, esteve no encontro e conversou durante muito tempo com Lula, de forma bastante descontraída.
Uma parcela considerável do agronegócio se engajou no apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Empresários do setor, inclusive, são suspeitos de financiar manifestações de caráter golpista, como a do dia 08 de janeiro de 2023.
O Palácio do Planalto aposta que os bons resultados do agronegócio no governo Lula, as ações do governo direcionadas ao setor, além da abertura de novos mercados no exterior, vão atrair o apoio de uma parte do agro. Nas próximas semanas, o presidente deve visitar estados em que o setor é representativo, sobretudo no Centro-Oeste, e fazer anúncios.
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Jornal Nacional/ Reprodução
Numa outra frente para melhorar a popularidade, Lula determinou a ministros e auxiliares que busquem formas de reduzir o preço do arroz, feijão, milho e trigo. A determinação ocorre no momento em que Lula vem sofrendo uma queda na avaliação, de acordo com pesquisas divulgadas na semana passada.
Na segunda-feira, Lula se reuniu com os ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), além do presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Edegar Pretto, e pediu um diagnóstico e propostas para baixar o preço desses produtos.
Os ministros e o presidente da Conab se reuniram posteriormente na própria segunda-feira com representantes do Ministério da Fazenda, da Casa Civil e com o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, para começar a discutir as propostas. A previsão é que ainda nesta semana o grupo apresente medidas concretas para reduzir os preços. A preocupação maior do presidente é com o valor do arroz e do feijão.
Entre as ações que devem ser tomadas, está a implementação de incentivos à produção desses itens na entressafra. O governo deve disponibilizar uma linha de crédito subsidiado para pequenos e grandes produtores desses alimentos.
Outra medida é a utilização dos estoques regulatórios da Conab espalhados pelo país. A companhia retomou essa política em meados de 2023 e passou a comprar alimentos não-perecíveis quando esses itens estavam com o preço abaixo da média. A ideia é enviar esses produtos para regiões em que o preço está mais alto e, dessa forma, forçar a queda nos valores.
A avaliação do ministro da Comunicação Social, Paulo Pimenta, com base também em pesquisas internas, é que a posição do Brasil e as declarações de Lula sobre o conflito entre Israel e Hamas impactaram a popularidade do presidente. A Secom, no entanto, entende que a alta no preço dos alimentos também provocou queda na avaliação do governo.

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