Mendonça responde a fala de Gilmar Mendes sobre ‘narcomilícia evangélica’ e alerta para risco de generalização

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André Mendonça, ministro do STF
Nelson Jr./SCO/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, divulgou nesta quarta-feira (13) uma nota pública comentando a declaração de seu colega de Corte Gilmar Mendes durante entrevista ao Estúdio i da última segunda (11). Na ocasião, Mendes disse que durante uma reunião do Supremo foi relatado haver uma narcomilícia evangélica em atuação no Rio de Janeiro.
Mendonça diz que conversou com o colega sobre o ocorrido e que Mendes reafirmou seu respeito à comunidade evangélica, que não houve intenção de constranger seus membros e que estaria à disposição da liderança da igreja para conversar e esclarecer o assunto.
Nota pública de André Mendonça sobre fala de Gilmar Mendes
GloboNews/Reprodução
“Em segundo lugar, importa anotar o grau de generalidade que teria sido dado pelo orador presente em referida reunião (“narco-milícia evangélica” ou “rede evangélica”). Se isso ocorreu, trata-se de fala grave, discriminatória e preconceituosa, pois dirigida a uma comunidade religiosa em geral”, continua Mendonça.
O terceiro ponto destacado pelo ministro André Mendonça fala diretamente sobre as supostas ligações entre criminosos e evangélicos: “se pessoas que se dizem ou se fazem passar por evangélicas estão envolvidas neste tipo de conduta criminosa, afirmo com total segurança que o segmento evangélico é o maior interessado na apuração desses fatos”.
“Espera-se, assim, que eventuais condutas ilícitas dessa natureza sejam objeto de responsabilização, independente da religião professada de forma hipócrita e oportunista por quem quer que seja”, finaliza.
O que disse Gilmar Mendes?
Em entrevista ao Estúdio i, Gilmar Mendes citou uma reunião no Supremo, presidida pelo também ministro Luís Roberto Barroso, onde foi relatado haver uma narcomilícia evangélica em atuação no Rio de Janeiro.
“Recentemente, o ministro Luís Roberto Barroso presidiu uma reunião extremamente técnica sobre essa questão, e um dos oradores falou de algo que é raro ouvir: uma narcomilícia evangélica, aparentemente no Rio de Janeiro, onde já se tem um acordo entre narcotraficantes e milicianos pertencentes ou integrados a uma rede evangélica. É algo muito sofisticado”, disse.
Não é novidade que traficantes tenham participado de ataques de intolerância religiosa no Rio de Janeiro. Em 2019, por exemplo, traficantes atacaram um terreiro de candomblé localizado no bairro Parque Paulista, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Eles obrigaram a sacerdotisa responsável pelo espaço a destruir todos os símbolos que representavam os orixás.

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